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Detox organizacional: precisamos falar sobre isso

Estudos apresentados no Fórum Econômico Mundial de Davos apontam que a desintoxicação das organizações é mais do que necessária, é urgente. Precisamos promover locais de trabalho saudáveis, que criem impacto positivo nas pessoas e nos lucros. Entenda o que isso significa


*Por Alessandra Cavalcante


De acordo com relatório de Davos 2020, até 2030, o custo para a economia global dos problemas de saúde mental pode chegar a US$16 trilhões. A pandemia de Covid-19 acentuou essa tendência, conforme relatado em estudo realizado nos Estados Unidos pela Organização Mundial de Saúde, indicando aumentos expressivos em casos de ansiedade e depressão em 2020, comparados ao ano anterior.


Se, por um lado, podemos associar positivamente o impacto da pandemia aos avanços na agenda de transformação digital, aceleração de novas formas de trabalho (caracterizadas pelo novo normal em várias organizações), a adoção de home office, ambientes virtuais, etc., por outro, percebemos de maneira mais contundente os sintomas e efeitos de uma cultura tóxica na saúde mental das pessoas.


A realidade é que de uma semana para a outra – mais precisamente desde 15/03/2020, aqui no Brasil – começamos a ter contato com nossas mais profundas vulnerabilidades. Passamos a conviver com o medo 24/7, em diferentes aspectos de nossas vidas. Medo de morrer, perder alguém próximo, contaminar ou ser contaminado, não performar, perder o emprego, o gap educacional dos filhos, não dar conta.


O ambiente mudou completamente, as empresas invadiram as casas das pessoas e as jornadas, para muitos, se tornaram mais longas. Casa/lar/refúgio, aquele espaço onde era possível se desligar do mundo, não existe mais; não da mesma forma. Isso gera insegurança, desconforto e impacta o nível de abertura e autenticidade das relações. Para aqueles que já estavam inseridos em um ambiente tóxico, o cenário é ainda pior, pois agora esse ambiente faz parte do seu habitat.


Criar uma cultura de segurança psicológica, de acordo com especialistas, é um dos principais caminhos para mudar este cenário.


Mas o que é segurança psicológica?


É o elemento essencial de culturas de inovação, aprendizagem e performance. Em ambientes com nível elevado de segurança psicológica, as pessoas são autênticas, sentem-se incluídas, seguras para aprender, contribuir e desafiar o status quo, sem medo de serem criticadas ou punidas.


O termo foi utilizado pela primeira vez por Edgar Schein (1965), mas alcançou maior repercussão após estudos publicados por Amy Edmondson (Professora da Harvard Business School).


Uma organização com uma cultura de alta segurança psicológica é um celeiro de inovação e desempenho, caracterizada por alto sentimento de pertencimento, colaboração e transparência.


Já em um ambiente com baixa segurança psicológica, uma cultura tóxica, percebe-se níveis elevados de estresse, ansiedade, sobrecarga e exaustão, o que acaba contribuindo com indicadores não muito favoráveis de saúde mental, levando a casos de depressão e burnout.


Esses indicadores estão fazendo com que organizações tratem do tema com a devida relevância, desenvolvendo programas robustos e adaptando suas estruturas organizacionais, como foi o caso da Ambev, que nomeou sua primeira Diretora de Saúde Mental.


A dinâmica das relações é a matéria prima para criar essa cultura tão sonhada por todos. Sabemos que os líderes têm um papel essencial no processo. Eles são os responsáveis por dar o tom, moldar a dinâmica, estabelecer o nível de respeito e as permissões com as quais a equipe vai operar.


Mas não estão sozinhos nesse processo. Todos os integrantes do time contribuem para que a dinâmica se estabeleça e avance. Um líder tóxico pode arruinar qualquer tentativa das pessoas se mostrarem como realmente são e acabar com a liberdade de dar ideias e arriscar.


É fundamental ajudar quem está nos postos de decisão. Os líderes também precisam aprender a exercer estilos de liderança mais saudáveis ​​e criar ambientes psicologicamente seguros.


Somente com diálogo, respeito, confiança e autenticidade nas relações podemos promover a transformação esperada.

*Alessandra Cavalcante, cofundadora da GoHuman, é psicóloga, MBA pela COPPEAD e pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos pela FGV, Coach certificada pelo CTI-London em Executive Coaching (Accredited Coach Training Program - ACTP) pela International Coach Federation (ICF) e pela HEC-Paris em Coaching Organizacional. Mentora da Top2You.



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