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A base da felicidade dinamarquesa

Conheça aspectos da cultura e da sociedade dinamarquesa que explicam por que o país se destaca em estudos e levantamentos sobre felicidade e saiba quais lições a Dinamarca deixa para quem deseja ser mais feliz pessoal e profissionalmente

Por Rachel Goldgrob*

O que faz da Dinamarca um dos países mais felizes do mundo? Mais importante, o que é possível aprender com a felicidade dos dinamarqueses?

Com o intuito de esclarecer essas questões, embarquei em uma jornada de aprendizado em Copenhagen, a capital dinamarquesa.

No primeiro artigo sobre essa experiência, contei como foi a conversa que tive com Onor Hanreck Wilkinson, analista no The Happiness Research Institute, um centro de pesquisa dinamarquês sobre bem-estar, felicidade e qualidade de vida.

Na entrevista, Onor me apresentou alguns aspectos culturais e sociais da Dinamarca que contribuem para os níveis de felicidade acima da média no país. É sobre eles que quero falar de maneira mais aprofundada hoje.

Oito fatores da felicidade dinamarquesa

O estudo The Happy Danes, desenvolvido pelo The Happiness Research Institute, detalha os oito fatores cruciais que são a base para os níveis elevados de felicidade na Dinamarca. São aspectos da cultura e da sociedade dinamarquesa que explicam por que o país figura sempre nas primeiras posições de estudos e levantamentos sobre felicidade.

A seguir, apresento cada um deles e mostro como algumas dessas questões são vivenciadas no dia a dia dos cidadãos…

1) Confiança

Estudos mostram que existe uma correlação direta entre confiança e felicidade – não é à toa que os países mais felizes do mundo também apresentam níveis elevados de confiabilidade.


Inclusive, o alto nível de confiança que as pessoas têm umas nas outras é das principais razões pelas quais a Dinamarca se sai tão bem nas pesquisas internacionais de felicidade. As barracas de frutas e vegetais self-service, bastante comuns na zona rural do país, são um exemplo de como essa confiança ‘opera’ na prática. Assista ao vídeo abaixo e entenda um pouco melhor essa lógica.

2) Segurança

O estado de bem-estar dinamarquês reduz a incerteza e as preocupações da população. Isso tem um significado particular para os menos favorecidos, um segmento da sociedade que é mais feliz na Dinamarca do que em outros países ricos.

Uma das questões que contribuem para o senso de segurança aqui é a ausência de angústia e ansiedade, especialmente em relação a incertezas associadas a doenças, envelhecimento e desemprego. Ou seja, a Dinamarca é um país seguro não só por conta da segurança nas ruas, mas pela estabilidade providenciada pelo governo.

3) Prosperidade

Dinheiro não compra felicidade. Porém, estudos mostram que a falta de dinheiro se reflete diretamente no bem-estar dos indivíduos. Pesquisas realizadas na Dinamarca e na Europa indicam que quanto maior a renda familiar, mais felizes as pessoas reportam ser. Ou seja, países e pessoas prósperas são geralmente mais felizes do que aqueles menos prósperos.


Definitivamente, falta de prosperidade não é um problema na Dinamarca. Portanto, temos aí mais uma justificativa para os níveis elevados de felicidade de seus cidadãos.

4) Liberdade

Ser capaz de decidir sobre a própria vida é essencial para a felicidade. A liberdade dos dinamarqueses está consagrada em vários direitos, e eles experimentam a sensação de estar no controle de suas próprias vidas.

Para se ter uma ideia, a Dinamarca está presente tanto na lista dos 10 países com maior liberdade econômica, quanto no ranking dos 10 países com maior liberdade de mídia.

5) Trabalho

Além da renda, questões como relações sociais, identidade e significado estão entre os benefícios gerados pelo trabalho. Sendo assim, o trabalho tem, em diferentes frentes, um impacto significativo na felicidade.

Os ambientes de trabalho dinamarqueses são geralmente caracterizados por níveis elevados de autonomia e qualidade do trabalho, o que contribui para a felicidade dinamarquesa.

6) Democracia

Estudos sobre felicidade sugerem que pessoas que vivem em países com fortes bases democráticas são, de maneira geral, mais satisfeitas com a vida.

A Dinamarca tem uma democracia bem desenvolvida, com alto nível de participação política, boa governança e baixo nível de corrupção. Esse cenário de liberdade e transparência política faz com que os cidadãos saibam que têm a oportunidade de mudar a sociedade quando necessário, o que é bom para a felicidade.

7) Sociedade civil

As relações sociais impactam diretamente nos níveis de felicidade. Estar próximo da família e de amigos, ter um bom relacionamento com vizinhos e com a comunidade – tudo isso faz as pessoas mais felizes.

A Dinamarca é um dos países com os maiores níveis de coesão social do mundo, por conta do forte engajamento das pessoas com a sociedade e com a família. Além disso, os dinamarqueses possuem alto grau de voluntariado e maior propensão a ajudar estranhos.

8) Equilíbrio

Pessoas felizes vivem uma vida balanceada. A capacidade de equilibrar a vida profissional e a vida familiar é essencial para a felicidade – e isso é um fator crucial na cultura da Dinamarca.

Como os dinamarqueses desfrutam de níveis altos de flexibilidade no ambiente de trabalho, eles experienciam menos estresse e têm tempo para aproveitar a vida familiar e o lazer sem prejudicar suas carreiras.

A relação entre sustentabilidade e felicidade

Além desses oito fatores, existe um outro aspecto da vida na Dinamarca que contribui para que as pessoas nesse país sejam mais felizes: a sustentabilidade. Mais especificamente, os comportamentos sustentáveis adotados no país, especialmente em relação ao consumo consciente e ao uso responsável de recursos.

Análises do The Happiness Research Institute indicam um número crescente de evidências que mostram a ligação entre comportamento sustentável e várias consequências psicológicas positivas – entre elas, a felicidade.

Na medida em que a sociedade como um todo se torna mais consciente sobre a necessidade de cuidar do planeta, a relação entre esses dois fatores – sustentabilidade e felicidade – fica cada vez mais clara.

Isso porque mudar padrões de consumo em prol da natureza deixa de ser visto como um ‘sacrifício’ e passa a ser vivenciado como uma maneira de contribuir para um mundo melhor, as pessoas sentem que são parte de algo maior.

O termo ‘felicidade sustentável’, criado por Catherine O'Brien, professora da Cape Breton University, no Canadá, explica bem essa conexão:

“A felicidade sustentável é a felicidade que contribui para o bem-estar individual, comunitário e global sem a exploração de outras pessoas, do meio ambiente ou das gerações futuras.”

Passando esse tempo aqui na Dinamarca, eu pude presenciar na prática como essa preocupação com o meio ambiente está presente na cultura do país. Existem diversas iniciativas dinamarquesas que demonstram isso.

Nos vídeos abaixo eu mostro duas ações de consumo consciente que exemplificam a preocupação das pessoas e das empresas em reduzir o desperdício e valorizar os recursos:


Aqui, vale abrir parênteses para dizer que nem tudo é perfeito na Dinamarca. Neste supermercado, por exemplo, havia um excesso de embalagens plásticas. Inclusive, de acordo com uma pesquisa realizada pela Statista, a Dinamarca é o maior produtor de lixo da Europa.


Por que a confiança é tão importante para a felicidade

Todos os fatores que listei neste artigo contribuem para que a Dinamarca registre níveis elevados de felicidade. Mas conversando com os dinamarqueses, eu pude perceber o quanto a confiança é uma questão crucial para os níveis elevados de satisfação neste país.

A habilidade de confiar – nas pessoas, nas instituições, nas empresas, no governo – torna a vida mais prazerosa, menos estressante, mais fácil e, claro, mais feliz.

No próximo artigo sobre felicidade, eu vou a fundo nesse fator para mostrar como a confiança impacta diretamente na qualidade de vida das pessoas e no dia a dia das empresas.

Acompanhe a GoHuman no Instagram e no LinkedIn para acompanhar essas e outras reflexões.

*Rachel Goldgrob, cofundadora da GoHuman, é psicóloga com certificação internacional em Coaching de Liderança pela Georgetown University e em Estratégia de Impacto Social pela University of Pennsylvania.


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