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  • Foto do escritorRedação GoHuman

A jornada coletiva que leva ao autoconhecimento

Entenda o papel dos relacionamentos interpessoais na jornada de autoconhecimento e saiba como isso impacta o desenvolvimento de lideranças

 

O autoconhecimento é uma habilidade fundamental para líderes que desejam atuar de maneira autêntica e inspiradora, promovendo um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.

 

Afinal, líderes que têm uma compreensão clara de suas próprias forças, fraquezas, valores e emoções são mais eficazes na tomada de decisões, na gestão de suas equipes, na resiliência frente a desafios e no crescimento contínuo.

  

Contudo, é importante não se deixar enganar pelo prefixo “auto”. Ainda que diga respeito a entender suas próprias emoções e tendências, o autoconhecimento está intimamente conectado à forma como nos relacionamos com o ambiente e com as pessoas à nossa volta.

 

É por isso que a jornada do autoconhecimento não deve ser solitária. Precisamos da perspectiva do outro para nos entendermos melhor.

 

A importância do olhar do outro no desenvolvimento do autoconhecimento

 

O olhar do outro oferece feedback valioso e uma perspectiva externa que pode revelar aspectos sobre nós mesmos que não percebemos sozinhos.

Alessandra Cavalcante

Alessandra Cavalcante, cofundadora da GoHuman, explica que a percepção externa ajuda a ampliar nossa consciência sobre como somos vistos pelos outros e como nossas ações impactam as pessoas ao nosso redor – o que é essencial para o desenvolvimento pessoal e profissional.

 

“Quando estamos sozinhos no exercício da autorreflexão, podemos nos deparar com nossos próprios vieses. Um exercício que recomendamos bastante nos processos de coaching e mentoria realizados pela GoHuman é buscar diversificar sua busca por feedback. Isso envolve ouvir cinco ou seis pessoas diferentes, de níveis hierárquicos variados com quem você se relaciona, para entender como essas pessoas lhe percebem, quais valores reconhecem em você, qual o seu impacto e como avaliam sua atuação”, indica.

Rachel Goldgrob

Rachel Goldgrob, cofundadora da GoHuman, lembra que é comum as pessoas terem uma visão distorcida de si mesmas. De acordo com a especialista, o olhar do outro ajuda a corrigir essa distorção e a compreender melhor como realmente somos percebidos, facilitando ajustes e melhorias.

 

“Tudo é uma questão de percepção, cada um vê com suas próprias lentes e com base no tipo de interação e relação que tem dentro da organização. As expectativas dos outros também são diferentes. Você pode ignorar isso e continuar tendo os mesmos resultados e percepções dos outros, ou pode decidir onde quer atuar. Não precisa atender a todas as expectativas, mas sim definir o que vai funcionar para seu papel, seus objetivos e para a pessoa que você quer ser”, frisa.

 

O autoconhecimento e as relações interpessoais


Ainda falando sobre como a jornada de conhecimento envolve as pessoas ao nosso redor, as executivas da GoHuman falam sobre o impacto dessa autoconsciência nas relações.

 

Além disso, elas afirmam que compreender como somos percebidos pelos outros é fundamental para construir relacionamentos mais eficazes e autênticos. Isso é especialmente relevante para líderes, que precisam estabelecer conexões significativas com suas equipes.

 

“É essencial entender a percepção das pessoas sobre seu comportamento e como você as impacta. Assim, você pode avaliar sua intencionalidade e refletir sobre muitas questões relacionadas ao seu comportamento”, reflete Alessandra.

 

Rachel enfatiza a importância de desenvolver uma consciência clara do impacto que causamos nos outros nesse processo de autoconhecimento.

 

“É difícil pensar em evoluir como líder e desenvolver seu autoconhecimento se não entendemos o impacto que temos nos outros. Existem coisas que conseguimos concluir por meio de nossas próprias reflexões, mas outras, não. Caso, por exemplo, da maneira que nos apresentamos para os outros”, frisa.

 

Nessa linha, as especialistas citam como um conceito importante a Inteligência Relacional, proposto pela psicoterapeuta Esther Perel.

 

A inteligência relacional refere-se à habilidade de compreender, gerenciar e nutrir relacionamentos de forma saudável. Envolve reconhecer e respeitar as diferenças individuais, entender as dinâmicas de poder em relacionamentos e cultivar relações mutuamente benéficas.

 

Esther defende a ideia de que é por meio das relações que podemos entender melhor sobre nós mesmos e nosso impacto.

 

“Você só se conhece por meio de suas interações com os outros. A maneira como eu falo é influenciada pela maneira como você ouve. A maneira como eu me vejo é influenciada pela maneira como você me vê. Não somos apenas uma pessoa. Podemos ter características essenciais, mas somos moldados pelos relacionamentos que vivemos”, ressalta.

 

Autoconhecimento e autenticidade

 

Rachel e Alessandra apontam ainda que é importante refletir a relação entre autenticidade e autoconhecimento e a maneira como as relações impactam essa visão sobre quem realmente somos.

 

As executivas explicam que ser autêntico significa ser verdadeiro consigo mesmo, mas também implica em compreender como nossas ações e palavras afetam os outros.

 

“Ser autêntico é ótimo, a questão é entender como você impacta os outros com sua autenticidade. Nós não vivemos isolados e sozinhos, interagimos uns com os outros. Principalmente no papel da liderança, as pessoas precisam tomar consciência do impacto de suas atitudes”, alerta Alessandra.

 

Tratando da importância dessa questão para as lideranças, Rachel cita o conceito de Paradoxo da Autenticidade, desenvolvido por Herminia Ibarra, professora de comportamento organizacional da London Business School.

 

Ibarra explica que muitos líderes usam a autenticidade como uma ‘desculpa’ em situações desconfortáveis, o que pode prejudicar seu desenvolvimento. Segundo ela, a mudança para novos papéis muitas vezes exige que os líderes saiam de suas zonas de conforto, mas também pode gerar uma forte tendência de proteger suas identidades, dificultando a adaptação a novas demandas.

 

“Meus estudos demonstram que os momentos que mais desafiam nosso senso de identidade são aqueles que podem nos ensinar mais sobre liderança eficaz. Ao nos enxergarmos como obras em progresso e evoluirmos nossas identidades profissionais através de tentativa e erro, podemos desenvolver um estilo pessoal que nos pareça adequado e atenda às necessidades em constante mudança de nossas organizações”, frisa Ibarra.

 

Rachel reforça essa visão, e indica que a autenticidade não pode ser usada apenas como desculpa para evitar visões divergentes.

 

“Talvez, dependendo da forma como entendemos a autenticidade, ela pode nos amarrar numa visão que é até ultrapassada e que atrapalha nossa construção e nosso desenvolvimento do que queremos ser no futuro. Você precisa o tempo todo estar revisitando essa noção, entendendo de onde vem, o lugar que você está e como você está evoluindo nesse processo”, aconselha.

 

Autenticidade e agressividade

 

A jornada de autoconhecimento também envolve enfrentar aspectos relacionados à nossa identidade que precisam ser revistos. Essa é outra questão que indica como nossos relacionamentos são fundamentais para nos conhecermos melhor.

 

Nesse sentido, as executivas da GoHuman alertam que muitas pessoas, levantando a bandeira da autenticidade, confundem agressividade com assertividade. Elas esclarecem que ser assertivo significa expressar suas opiniões e sentimentos de forma direta, mas respeitosa, enquanto ser agressivo envolve impor suas ideias de maneira dominante e insensível.

 

Quanto a esse equilíbrio, Alessandra indica que manter a autenticidade sem ser agressivo requer consciência do impacto das nossas ações nas outras pessoas.

 

“Precisamos entender o que é ser assertivo e o que é ser agressivo. Às vezes, as pessoas usam a autenticidade como uma desculpa: ‘Sou autêntico, sou assim e ponto’. É essencial desenvolver essa autoconsciência na liderança e perceber o impacto que você causa nos outros. A forma como você interage sempre vai gerar uma resposta, que pode ser frustração, mal-estar ou até um ambiente tóxico”, alerta Alessandra.

 

Rachel comenta que manter a autenticidade enquanto se adapta às necessidades e sensibilidades dos outros requer habilidade interpessoal e empatia. Isso diz respeito a entender que cada pessoa tem suas próprias perspectivas e limites, e ajustar nossa comunicação e comportamento de acordo com o contexto e as necessidades específicas da situação.

 

Ela cita o exemplo de quando alguém é informado de que está sendo grosseiro e responde dizendo que esse é o seu estilo ou seu jeito de ser… 

 

“Cada pessoa tem estilos preferenciais de comunicação. Se, por exemplo, você é alguém muito direto e prefere dar feedback de forma sucinta, é importante entender que muitos não lidam bem com isso. Essa questão não se limita apenas à pessoa que recebe o feedback, mas também a você, enquanto líder. Qual é o impacto que você deseja causar? Pretende deixar a pessoa chateada ou ajudá-la a crescer? A forma como você se comunica faz toda a diferença”, salienta.

 

A GoHuman desenvolve programas de desenvolvimento de lideranças humanizadas que, dentre outras coisas, ajudam a desenvolver o autoconhecimento e a autoconsciência dos participantes. Entre em contato conosco para saber como podemos trabalhar juntos.

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