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  • Foto do escritorRedação GoHuman

O novo papel do RH: uma gestão mais transversal, dinâmica e humana

Atualizado: 7 de dez. de 2022

Conheça as principais movimentações e tendências que impactam os processos do setor de Recursos Humanos e saiba qual é a visão de dois especialistas sobre o novo papel do RH


Entre os principais desafios enfrentados por profissionais de RH preocupados em contribuir com a construção de ambientes corporativos com mais segurança psicológica estão:

  • Entender como o RH é impactado pelas transformações sociais.

  • Saber de que maneira é possível ajudar as empresas a se adaptarem às constantes transformações pelas quais o mercado passa.

  • Descobrir o que o RH pode fazer para tornar as organizações mais saudáveis emocionalmente.

Uma das melhores formas de superar esses desafios é ouvindo especialistas que estudam e lidam com essas questões diariamente.


Foi exatamente isso que o webinar “O novo papel do RH”, realizado pelo Instituto Capitalismo Consciente Brasil, proporcionou.


Mediado por Amanda Malucelli – coordenadora de Educação do Instituto Capitalismo Consciente Brasil –, o webinar contou com a participação de Alessandra Cavalcante* (cofundadora da GoHuman) e Marco Ornellas (CEO da Ornellas Consulting e Academy e diretor de Conhecimento e Aprendizagem da ABRH-SP).


A seguir, confira os destaques da conversa e entenda as principais questões que envolvem o novo papel do RH.


Uma área em transformação: o RH transversal e multistakeholder

Recursos humanos, capital humano, gestão de pessoas… O termo para definir a área que cuida dos profissionais e da cultura organizacional como um todo vem mudando nos últimos anos. Alessandra Cavalcante comenta que essa nomenclatura geralmente acompanha as transformações sociais que impactam diretamente a relação das pessoas com as empresas.

“A gente percebe uma evolução alinhada tanto a comportamentos de uma sociedade que está em constante transformação, como também à tecnologia e aos novos modelos de negócio. Por exemplo, quando falamos de RH Ágil ou RH 4.0, esse é o RH que está acompanhando as movimentações tecnológicas no mundo dos negócios”, explica.

No entanto, a cofundadora da GoHuman destaca que mais importante do que a forma como chamamos a área, é a maneira como este setor efetivamente atua diante dessas transformações.

“Minha preocupação é menos com o nome da área, mais com a questão do posicionamento. Precisamos de um RH que seja um parceiro do negócio e que saiba cuidar das pessoas. Acredito cada vez mais que o RH tem um papel transversal. Não dá mais para ser um RH focado apenas em um aspecto, como vimos no passado, é preciso navegar em diferentes áreas”, reflete a especialista em Capital Humano e sólido track record em posições executivas de RH.

Marco Ornellas concorda com Alessandra e acrescenta que a área de recursos humanos deve se preocupar não só com as pessoas, mas com todas as questões que impactam os profissionais – dentro e fora das empresas.

“Eu temo que muitos dos termos usados para definir essa área focam a atuação apenas nas pessoas. Eu gostaria que olhássemos as pessoas dentro de um ecossistema. A comunidade e a sociedade, por exemplo, também fazem parte. Hoje vivemos uma cultura cada vez mais multistakeholder. Indo além, por que também não pensar no planeta, trazendo a questão do ESG? Ou seja, não dá para falar de gestão de pessoas e excluir a sociedade e as causas ambientais”, destaca Marco.

Diversidade e inclusão: práticas para acelerar o fechamento das lacunas

Falando em questões sociais que impactam a área de RH, os processos de recrutamento e seleção cada vez mais focados na Diversidade e Inclusão (D&I) são um exemplo claro de como as demandas culturais da sociedade se refletem na gestão de pessoas nas empresas.

Nesse sentido, Marco alerta para a importância de se alinhar práticas de D&I com as estratégias e com a cultura da empresa.


Alessandra concorda, mas acredita que há uma necessidade também de acelerar a implementação dessas ações. “Temos um gap enorme a ser fechado. Se formos esperar o planejamento e a preparação completa da empresa, fico pensando o quanto essa lacuna só aumenta ainda mais…”, reflete.

A especialista comenta que é possível, sim, fazer o alinhamento estratégico ao mesmo tempo em que se aplica ações de D&I nos processos de recrutamento e seleção para fechar o gap de desigualdade. “Podemos fazer o letramento, a preparação e sensibilização dos líderes para receber profissionais diversos, e simultaneamente adotar práticas para diminuir vieses inconscientes. Por exemplo: ocultar aspectos como gênero, raça, universidade e até lugar de moradia nas primeiras etapas do processo seletivo”, aponta a cofundadora da GoHuman.

Treinamento e desenvolvimento: uma questão de sobrevivência do negócio

Ainda falando sobre as transformações do mercado e seus impactos na área de RH, Amanda Malucelli levantou a questão sobre como as mudanças constantes do mercado impactam os processos de treinamento e desenvolvimento.

Para reforçar seu ponto, ela destacou que, segundo o Fórum Econômico Mundial, a habilidade de aprender constantemente será uma das 15 competências fundamentais para 2025. Isso faz cada vez mais sentido na medida em que, ainda segundo a entidade, vivemos um cenário em que cerca de 40% dos trabalhadores precisarão se requalificar nos próximos seis meses.

Nesse sentido, Alessandra ressalta que, nos últimos anos, deixamos de ter uma visão mais tecnicista do treinamento e desenvolvimento e passamos a ter uma visão mais ampla. “Hoje, temos o lifelong learning e o lifewide learning. Ou seja, vivemos uma cultura em que precisamos aprender a vida toda e de maneira muito mais ampla e abrangente – aprendemos o tempo todo e em todas as áreas da nossa vida”, frisa.

Ela relembra que desde a década de 90, quando se falava das organizações que aprendem, já se tratava da necessidade de aprender para se manter relevante e competitivo. Contudo, na visão dela, estamos em um processo de transformações, em que muitas práticas ainda estão sendo consolidadas.

“Já vemos algumas práticas que vêm evoluindo, como o aprendizado on the job (aprender fazendo) e a aprendizagem ativa, em que cada um é responsável pelo seu aprendizado. Além disso, vemos cada vez mais coaching e mentoria. Também defendo a necessidade da participação ativa dos gestores nesse desenvolvimento – líderes formando líderes”, destaca.

Por fim, Alessandra salienta que a questão da requalificação dos profissionais é algo que vai além da área de RH. “A área de treinamento e desenvolvimento passa a ser mais ampla: é uma questão estratégica de negócio, de sobrevivência”, alerta.

O RH e a saúde mental nas empresas

Quando o assunto é o papel do RH para cuidar da saúde mental dos colaboradores, Marco destaca a importância de tornar as organizações mais humanizadas, e deixa um recado: “RH, vamos cuidar para que nossas organizações sejam lugares não tóxicos, lugares saudáveis e mais humanos. Dessa forma, não precisaremos cuidar da saúde mental das pessoas, porque elas vão ser cuidadas dentro da organização”, sugere.

Alessandra, que é uma referência em saúde mental e segurança psicológica no ambiente de trabalho, reitera que essa humanização é extremamente necessária. Na visão dela, uma das questões que impedem o avanço desse cuidado nas organizações é a falta de conhecimento sobre como lidar com saúde mental e o tabu em torno desse tema.

Ela destaca que um dos aspectos mais importantes ao tratar de saúde mental no ambiente de trabalho é focar na causa raiz dos problemas. “Acho relevante essa questão do ambiente tóxico levantada pelo Marco. O RH precisa analisar: como está o ambiente nesse sentido? Como estão sendo analisados os resultados das pesquisas de engajamento? Como é o perfil das lideranças? Existe espaço para as pessoas se sentirem incluídas e ouvidas?”, recomenda.

Além disso, a cofundadora da GoHuman orienta que os profissionais de RH avaliem essas questões para entender potenciais problemas sistêmicos que podem estar causando adoecimento mental dos colaboradores. “Mais do que ações pontuais e que não são suficientes – como sala de descompressão, ginástica laboral etc. –, é importante mergulhar de maneira mais profunda e atacar a causa raiz. Somente a partir daí deve-se realizar ações de transformação sistêmica, sempre pelo caminho da humanização”, finaliza.



Saiba mais


O Capitalismo Consciente é um movimento global que se originou nos Estados Unidos e que tem como objetivo elevar a consciência das lideranças para práticas empresariais baseadas na geração de valor para todos os stakeholders.


O braço do movimento no Brasil realiza diversos debates sobre temas importantes para nós – como liderança de impacto, liderança feminina, liderança consciente e muito mais. Acompanhe o canal do Instituto Capitalismo Consciente Brasil no YouTube e fique por dentro das novidades.


*Além da vivência operacional como Executiva de RH, Alessandra Cavalcante desempenhou papéis globais em CoEs (Center of Expertise) – tais como VP da Universidade Corporativa e Global Talent Director – e esteve à frente de uma das maiores consultorias Globais de Capital Humano. Atualmente, como sócia e cofundadora da GoHuman, tem se dedicado a temas como Segurança Psicológica, Saúde Mental, Coaching & Mentoring e Desenvolvimento de Liderança, oferecendo a seus clientes além da robusta formação sua vasta experiência em diferentes contextos organizacionais e culturais.

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